Tom 80

Nesta quinta-feira, dia 25 de janeiro, Antônio Carlos Jobim completaria 80 anos.
Chega de saudade
Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes

Vai minha tristeza
E diz a ela
Que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade
É que sem ela não há paz
Não há beleza
É só tristeza
E a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim, não sai
Mas se ela voltar, se ela voltar
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços
Os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim
Colado assim
Calado assim
Abraços e beijinhos
E carinhos sem ter fim
Que é prá acabar com esse negócio
De viver longe de mim
Vamos deixar desse negócio
De você viver sem mim

1 comentários:

Anônimo disse...

Do Poeta turco Nazim Hikmet, em réplica ao "Chega de Saudade"...

L'addio (o Adeus)

O homem diz à mulher
te amo
e como:
como se apertasse entre as palmas
o meu coração, como um estilhaço de vidro/
que ensangüenta os dedos
quando o aperto
loucamente.

O homem diz à mulher
te amo
e como:
com a profundidade dos quilômetros
com a imensidade dos quilômetros
cem por cento
mil por cento
cem vezes o infinitamente cento.

A mulher diz ao homem
vi
com meus lábios
com a minha cabeça com meu coração
com amor com terror, curvando-me
sobre teus lábios
sobre teu coração
sobre sua cabeça.
E aquilo que digo agora
aprendi de você
como um murmúrio nas trevas
e hoje sei
que a terra
como uma mãe
dá a luz do sol
alada a sua criatura mais bela.
Mas o que fazer?
Os meus cabelos são emaranhados nos dedos dequele que morre/
não posso agarrar a cabeça
deve partir
olhando nos olhos do neo nato
deve abandonar-me

A mulher calou-se
beijaram-se
um livro caiu no chão
uma janela é fechada.

É assim que se deixaram.

(tradução livre do italiano, pel'O Revisor)

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